Credenciais e ingressos em grandes eventos

 

Eduardo Salles

Credenciais.png

         Existem, hoje, inúmeras alternativas e empresas bastante especializadas e capacitadas para o fornecimento destas soluções, bem como para a implementação de toda a infraestrutura necessária. Minha preocupação segue em outra direção, enquanto todos estes sistemas tornam-se imensamente seguros quando utilizados em conjunto, surgem “brechas” de segurança ao desconectarmos alguns elementos. Vamos imaginar um exemplo: Digamos que um jornalista possua credencial autorizada a acessar os vestiários e locais de treino das delegações esportivas dos Jogos Olímpicos. Teremos credenciais sofisticadas, com selos holográficos, leitura de dados variáveis por RFID e códigos de barras integrados a bancos de dados. Um grupo terrorista consegue roubar esta credencial e mantém o jornalista em cativeiro (para que os organizadores não sejam informados sobre o roubo). Facilmente, o grupo altera os dados impressos na credencial, inclusive nome e foto do portador. De posse desta credencial o grupo consegue acesso ao hotel em que determinada delegação está hospedada. Como o hotel não está integrado ao sistema de controle de acesso, a verificação da autenticidade do documento, ou mesmo se ele foi adulterado de alguma forma (em artigos futuros vamos detalhar alguns tipos de fraude conhecidas como FADS – Falsificação, Adulteração, Duplicação e Simulação), torna-se significativamente mais frágil. Para que possamos elevar de maneira expressiva a segurança destes eventos e minimizar a probabilidade de eventos como o ilustrado, é preciso a adoção de sistemas de autenticação abertos (como complemento aos sistemas fechados de controle de acesso). Estes sistemas precisam disponibilizar as informações de identidade e autorizações para todo o público de forma simples e economicamente Eduardo Salles
viável. Através destes sistemas abertos, a recepção do hotel poderia validar as informações através de um website ou mesmo com a leitura de QRCodes de segurança, através de smartphones conectados à internet. Estes sistemas também devem ser capazes de monitorar o comportamento dos portadores destas credenciais, verificando locais de acesso, tentativas de acesso não autorizado e padrões de comportamento suspeito (por exemplo, a mesma credencial não pode estar sendo validada em dois lugares distintos ao mesmo tempo). Outro problema será referente à autenticidade dos ingressos. Quem protegerá o consumidor de comprar ingressos falsificados nas mãos de cambistas? Eu sei que muitos dirão que o consumidor não deveria comprar seus ingressos neste “canal” mas, sejamos francos, não existe outra alternativa. Seja por conivência, desconhecimento das soluções ou qualquer outro motivo, os organizadores de eventos (shows, partidas de futebol ou outros eventos esportivos e de entretenimento) não tem sido capazes de assegurar aos consumidores a aquisição tranquila e 
segura de seus ingressos. Como depoimento pessoal, gostaria de comentar sobre o último show da banda U2 em São Paulo. Eu (e outras milhares de pessoas) tentávamos adquirir os ingressos através do site sem obter êxito. Páginas fora do ar, transações interrompidas, falta de lugares e, de repente, não havia mais ingressos (era o que centenas de pessoas questionavam online no twitter e facebook)? Só conseguimos adquirir os nossos ingressos após nos afiliarmos ao fã-clube da banda, interessante. Enquanto isso, muitos outros espectadores foram obrigados a recorrer aos cambistas. Deste modo, parece-me fundamental, integrar tecnologias que permitam ao consumidor a verificação simples e precisa da autenticidade destes ingressos. Além das holografias, papéis de segurança, imagens ocultas (visíveis sob luz UV), é preciso o uso de novas ferramentas. Há dois meses, escrevi um artigo sobre o uso da tecnologia RFID e dos QRCodes. Como os smartphones ainda não são capazes de efetuar a leitura dos RFIDs, sugiro a implementação de um sistema de autenticação baseado na web, com o uso dos QRCodes como “chave de acesso” a este sistema. De fato, estas tecnologias já existem, possuem patentes brasileiras, e estão disponíveis para os organizadores, fabricantes de ingressos e sistemas de acesso. Assim como em outros temas sobre os quais tenho expressado algumas opiniões, creio termos aqui mais uma oportunidade de apresentarmos ao mundo um Brasil com soluções inovadoras e diferenciadas, incrementando a segurança de eventos tão importantes como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos e utilizando-os como grandes vitrines para o mercado internacional.