Etiquetas inteligentes, controle patrimonial e logístico

 

Eduardo Salles

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         Baseadas na, então, recente tecnologia RFID, estas etiquetas permitiriam um controle mais eficaz e simplificado. No caso do varejo, a ideia era de que os consumidores colocassem suas compras no carinho (que iria registrando estes itens e computando o total da compra durante o processo) e, ao saírem por um portal, todos os itens seriam automaticamente debitados do seu cartão de crédito, sem caixas, filas ou qualquer outro incômodo. Para o varejista, também terminariam os problemas com pequenos roubos, visto que o portal seria capaz de registrar qualquer item, mesmo que este não estivesse no carrinho. Para os centros de distribuição, o processo de inventário de estoques seria imensamente simplificado e mais preciso, através da leitura de todos os itens dentro de um galpão (ou pallet, caminhão, contêiner etc.) a um simples “click” de um leitor. O controle de ativos fixos de empresas (tradicionalmente controlados pelas plaquetas de patrimônio) também se tornaria mais preciso e ágil. Evidentemente, como toda nova tecnologia, os custos eram elevados, o que dificultava a sua implantação em larga escala. Todos nós aguardávamos o momento em que o ganho de escala traria reduções de custo e, então, resolveríamos muitos dos nossos problemas. Passados quase 10 anos das primeiras notícias, as etiquetas inteligentes estão por toda parte: controlando a arrecadação de pedágios e estacionamentos urbanos, protegendo alguns itens de alto valor agregado, incrementando a segurança 
de documentos oficiais (como passaportes e identidades) e cartões de crédito, além de substituírem os crachás com códigos de barras pelos cartões de proximidade. A redução de preços foi expressiva, apesar de ainda ser dezenas de vezes mais cara que outras soluções de tecnologia impressa.
O ponto crítico é que, apesar das inúmeras aplicações presentes (e que sequer eram imaginadas em 1980), muitas das promessas permanecem distantes da realidade. Percebeuse que existem diversas e sérias limitações, principalmente no processo de leitura dos RFIDs. Interferências eletromagnéticas, proximidade com outras etiquetas ou com superfícies metálicas, distância entre leitor e etiqueta, entre tantas outras, criaram situações embaraçosas. Muitos projetos optaram por aceitar que a leitura de itens em um pallet (por exemplo) possui 80% de perfeição, ou seja, o número de itens lidos pode ou não ser o real. Antes de ser alvo da fúria dos fabricantes, consultores e mesmo usuários da tecnologia em questão, 
gostaria de deixar claro que não estou criticando-a ou diminuindo a sua grande importância em tantas aplicações. Apenas busco relembrar a distância entre o sonho inicial e a realidade presente da tecnologia. Por outro lado, a década iniciada em 2010, trouxe novas possibilidades como alternativa ou complemento das etiquetas inteligentes. Falo do advento da computação em nuvem (cloud computing), dos códigos de barra bidimensionais (especialmente os QRCodes e DataMatrix, estes já bastante antigos) e o poder dos smartphones, com aplicativos de leitura de códigos de barra e navegação na internet. Se, por um lado, ainda não é possível efetuar e leitura do conteúdo completo de carrinhos de compra, contêineres ou galpões, por outro lado, tornou-se viável o desenvolvimento de sistemas e etiquetas inteligentes de baixo custo e alto poder de armazenamento, manipulação e consulta de dados. Assim, etiquetas patrimoniais, lacres de contêineres, crachás, credenciais de segurança, documentos oficiais contam com alternativas economicamente mais competitivas e, dependendo do alcance e objetivo de cada aplicação, tão ou mais poderosas que o RFID. Para os próximos anos, já se anuncia uma nova geração de smartphones capazes de ler e registrar dados em tags RFID. Será? Tenho certeza, um novo salto tecnológico para os processos de segurança e controle de ativos.